Léo Braga anuncia fim da carreira como compositor após mais de mil canções
Nome importante para a nova geração do forró pé de serra, compositor afirma ao EQMescapuliu que deixa as composições para se dedicar à família e apresenta “Despedida das Canções”, sua última obra
Depois de mais de uma década tendo suas composições gravadas por diferentes nomes da nova geração do Forró, Léo Braga decidiu encerrar sua trajetória como compositor. Em anúncio feito ao EQMescapuliu, ele revelou que deixa de escrever novas músicas para dedicar seu tempo à esposa e à filha que está chegando.
A decisão não está relacionada a uma necessidade profissional ou a um afastamento do forró. Segundo Braga, trata-se de uma escolha pessoal ligada a um desejo que, segundo ele, carrega desde a infância: construir sua vida em torno da família.
“Não existe uma necessidade externa, mas sim algo maior dentro de mim, que é a dedicação total à minha esposa e filha”, afirmou.
O compositor estima ter chegado ao fim dessa trajetória com 1.003 obras escritas. Segundo ele, aproximadamente metade desse material vem passando por um processo de revisão, com alterações em palavras e melodias que foram se perdendo ou se modificando com o passar dos anos.
Isso significa que a aposentadoria das composições não representa necessariamente o fim dos lançamentos. Há um acervo ainda inédito que Braga pretende organizar e que poderá continuar chegando ao público.
“Em breve elas tomam o mundo”, projeta.
Uma despedida em forma de música
Como último gesto dessa trajetória, Léo Braga fez aquilo que marcou sua relação com o forró: transformou a própria decisão em composição.
O anúncio é acompanhado de “Despedida das Canções”, um xote escrito especialmente para este momento e apresentado em primeira mão ao EQMescapuliu.

Na letra, Braga revisita a relação com as músicas que escreveu e explica a escolha de direcionar sua vida para a família.
“Hoje eu escolho a família
Meu tesouro, lugar de morar”
A despedida também sintetiza a forma como o compositor enxerga a mudança. Em vez de tratar a decisão como um encerramento, ele fala em uma nova etapa.
“Foi vivendo, compondo, sonhando / que hoje eu renasço do mesmo lugar”, escreve nos versos finais.
A escolha, segundo Braga, está ligada a um projeto de vida muito anterior à carreira musical.
“O momento que eu vivo foi construído lá nos meus 11 anos de idade, quando fui perguntado o que eu queria ser quando crescer, e só existia dentro de mim um único propósito: ser o melhor marido e o melhor pai, cozinhar igual minha mãe e ser o maior protetor dos meus amigos e familiares", disse.
Das pistas de dança para o repertório de uma geração
A trajetória de Léo Braga como compositor está diretamente relacionada ao circuito do forró pé de serra formado nas últimas décadas.

Nascido em Campos dos Goytacazes (RJ), ele conheceu o gênero em 2002. Antes de ganhar espaço como autor, também atuou como professor de dança e DJ de vinil.
Foi em 2011 que seu nome começou a aparecer com maior força entre os compositores da cena. “Pode Balançar” foi gravada pelo Trio Alvorada e se tornou faixa-título de um dos trabalhos do grupo.
A partir dali, suas músicas passaram a circular pelo repertório de diferentes artistas.
Entre as composições que ganharam maior projeção estão “Meu Forró”, gravada pelo Trio Dona Zefa; “Baile dos Ratos”, parceria com Alex Corrente; “Balanço Baianado”, registrada por Os 3 Cangaceiros; “Lamento do Norte”, com Bernadete França; “Duelo dos DJs”, com o Trio Alvorada; e “Rojão Quente”, gravada pelo Forró Quatro Estações.
Segundo levantamento apresentado pelo próprio compositor, atualmente são 78 intérpretes de suas obras.
Essa presença ajuda a dimensionar uma característica importante de sua trajetória: Léo Braga construiu boa parte de sua carreira nos bastidores, escrevendo músicas que ganharam vida nas vozes e instrumentos de outros artistas.
Uma relação especial com o FENFIT
Parte dessa história também passa por Itaúnas.
Ao longo dos anos, composições de Léo Braga estiveram presentes em diferentes edições do Festival Nacional Forró de Itaúnas (FENFIT) e participaram de conquistas de artistas que disputaram o tradicional concurso.
Em 2013, Íria Oliveira recebeu o reconhecimento de cantora revelação defendendo “Velho Baião”. No ano seguinte, Os 3 Cangaceiros conquistaram o segundo lugar com “Balanço Baianado”. Em 2017, Barbara Greco recebeu o prêmio de revelação feminina com “Desapego”.
Já em 2024, “Sou Negro”, interpretada por Emili Pinheiro, recebeu o prêmio de melhor letra, enquanto a cantora terminou a competição na segunda colocação.
A relação ganhou mais um capítulo em 2026. Maria Sol levou ao festival “Gongá do Norte”, composição que Braga afirma ter escrito 17 anos antes. A participação terminou com novas premiações no FENFIT e colocou novamente uma obra do compositor no palco do Bar Forró.