Duda Stéfano: “Eu me sinto em um momento de construção”
Cantora, compositora e instrumentista, Duda Stéfano representa uma nova geração que encontra no Forró não apenas um gênero musical, mas um caminho de expressão e pertencimento.
Nesta entrevista, ela fala sobre os primeiros encontros com a cultura, os desafios de construir carreira no interior de São Paulo e o desejo de ampliar espaços, especialmente para as mulheres, dentro do Forró.
1 - Quem é Duda Stéfano para quem ainda não te conhece?
Sou cantora, compositora e triangulista, apaixonada pelo Forró pé de serra. Minha história com a música começou como uma brincadeira de infância dentro de casa, cantando com meu pai ao som da viola caipira. Sou formada em arquitetura, mas foi na música que encontrei meu caminho mais verdadeiro. No palco, eu me realizo, brinco, danço e canto com alegria essa cultura que me atravessa profundamente.
2 - Como o Forró entrou na sua vida?
O Forró entrou na minha vida pela dança e foi amor já no primeiro baile. Durante anos, foi esse o lugar de dançar, me divertir e fazer amizade. Mas foi em um festival em Paraty [RJ], em 2023 [Circuito de Forró da Praia do Sono], vendo mulheres no palco, que algo virou dentro de mim, como um chamado. Foi um momento muito inspirador. Me imaginei ali, fazendo música para as pessoas dançarem. Eu já gostava de cantar, já era apaixonada pelo Forró e, naquele instante, nasceu em mim um sonho para correr atrás: espalhar ainda mais o Forró pelo mundo, me expressando através dele.
3 - Fazer Forró no interior de São Paulo é mais difícil?
Sim, existem desafios. O Forró é uma cultura nordestina, então fazer Forró no Sudeste, especialmente no interior, exige ainda mais resistência, dedicação e amor. Mas, ao mesmo tempo, é muito bonito ver como essa cultura criou raízes aqui também. Existe um público apaixonado, que respeita e valoriza o Forró. Então eu vejo mais como uma missão do que como uma dificuldade: manter essa chama acesa e fortalecer esse movimento por aqui.
4 - Como você define seu atual momento no Forró?
Eu me sinto em um momento de construção e tenho curtido muito esse processo. Tenho buscado me aprofundar na minha identidade artística, valorizando a tradição, mas também trazendo minha essência e minhas vivências. É um momento de plantar sementes, seja nos palcos, nos projetos ou nas minhas músicas autorais, com muito cuidado, verdade e propósito. Estou feliz com o retorno que estou tendo da minha primeira música lançada, “Ai Meu Bem”, e me preparando para lançar outras composições. A sensação de ver as pessoas cantando e dançando “Ai Meu Bem” é como se a minha história encontrasse morada no coração de outras pessoas. É emocionante, é coletivo, é lindo.
5 - Que mensagem você deixa para os forrozeiros do Brasil?
Que a gente nunca esqueça da força e da beleza do Forró. Que possamos honrar essa cultura tão rica, respeitando suas raízes e mantendo viva a sua essência. O Forró é resistência, é alegria, é encontro. Que a gente continue dançando, tocando, cantando e fortalecendo essa rede linda que existe pelo Brasil inteiro.
Que a gente também siga abrindo cada vez mais espaço para as mulheres forrozeiras —- cantoras, musicistas, professoras de dança, DJs, produtoras —, para ocuparem todos os lugares que quiserem no Forró, com toda a sua potência.
E que o amor pelo Forró siga nos guiando sempre.