Forró dá passo histórico rumo ao reconhecimento como Patrimônio da Humanidade
A candidatura do forró a Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade avançou com a entrega de dossiê ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, em João Pessoa. O documento, articulado nacionalmente, será enviado à UNESCO e marca um passo importante na preservação e reconhecimento internacional do forró de raiz.
Entrega de dossiê ao Iphan reúne artistas e gestores e marca avanço na candidatura brasileira à UNESCO
Por Redação
A cidade de João Pessoa, na Paraíba, foi palco, na última quarta-feira (18), de um marco histórico para a cultura brasileira: a formalização da candidatura do Forró ao título de Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. O movimento, resultado de anos de articulação entre diferentes agentes culturais, deu mais um passo decisivo com a entrega oficial do dossiê ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
O evento reuniu artistas, pesquisadores, mestres da cultura popular e gestores públicos de diversas regiões do país, consolidando um esforço coletivo em defesa do forró de raiz.
A agenda incluiu rodas de conversa, cortejo cultural e a cerimônia oficial no Theatro Santa Roza, onde foram debatidos temas como políticas de salvaguarda, direitos culturais e os desafios enfrentados pelas manifestações populares diante das pressões do mercado.
Para Joana Alves, presidenta da Associação Cultural Balaio Nordeste, o reconhecimento vai além do simbolismo. Segundo ela, o título representa “um instrumento de proteção viva”, capaz de garantir às futuras gerações o direito de herdar, praticar e reinventar a tradição. Em um cenário de crescente influência comercial sobre a música, o processo reafirma o valor histórico e cultural do forró dentro da identidade brasileira.
A formalização do pedido marca o início de uma nova etapa. O dossiê, assinado por representantes dos nove estados do Nordeste, será encaminhado à UNESCO no próximo dia 31 de março, segundo o diretor de Patrimônio Imaterial do Iphan, Deyvisson Gusmão.
Mais do que uma chancela internacional, o reconhecimento busca assegurar a continuidade do forró como prática viva, transmitida entre gerações, recriada ao longo do tempo e enraizada na cultura popular. Em meio às transformações do mercado e às disputas por espaço nas festas e programações culturais, o movimento reforça que o forró não é apenas um gênero musical, mas um patrimônio coletivo em permanente construção.