Cosminho leva a nova geração da sanfona ao universo de Gilberto Gil
Sanfoneiro fala sobre o convite inesperado para integrar a turnê de despedida do cantor baiano e reflete sobre o encontro entre gerações da música brasileira
Quando Gilberto Gil já atravessava décadas como um dos artistas mais importantes da música brasileira, Cosme Vieira, mais conhecido como Cosminho, ainda nem havia nascido. Hoje, aos 28 anos, o sanfoneiro divide o palco justamente com um artista que ajudou a transformar diferentes gerações, movimentos e sonoridades da música popular brasileira.
Integrando a turnê de despedida dos palcos de Gilberto Gil, Cosminho vive uma experiência que ele próprio define como difícil de imaginar.
“É uma realização. Tem coisas que a gente nem sonha muito porque parecem inalcançáveis. Eu sempre tive vontade de tocar com um artista como o Gil, mas, sendo o Gil, foi muito mais especial. É igual estar perto de Dominguinhos, Gonzaga… Gil é um orixá, um gênio. Só tenho a agradecer. Não zerei a vida, mas cheguei em 50%”, afirma.
O convite chegou de surpresa. O músico estava em Foz do Iguaçu quando recebeu uma ligação de Mestrinho. “Eu me lembro exatamente onde eu estava. Achei que Mestrinho estava brincando”, relembra.
A princípio, a participação aconteceria em apenas três apresentações. Mas a experiência rapidamente ganhou outra dimensão. Entre ensaios, viagens e palcos lotados, Cosminho passou a acompanhar de perto um artista que, para ele, representa uma síntese rara da música brasileira.
“O Gil tem o poder de ser um camaleão, de fazer tudo, e tudo muito bem. É emocionante ver a força, a vitalidade, o amor e o respeito que ele tem pela música e por quem está ali com ele”, diz.
Mesmo já acostumado a tocar ao lado de artistas importantes do cenário nacional, o sanfoneiro afirma que a convivência com Gil trouxe outros tipos de aprendizado.
A turnê também abriu novos caminhos pessoais e profissionais. Foi durante essa experiência que Cosminho conheceu países como Chile e Argentina, ampliando uma trajetória construída de maneira gradual.
Ao falar do futuro, o músico garante que pretende seguir deixando tudo fluir sem pressão.
“As coisas na minha vida sempre aconteceram de uma forma muito natural. As oportunidades vão chegando até mim de uma forma leve, espontânea”, afirma Cosminho, que agora trabalha na finalização do próprio disco.