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Dominguinho faz história e reúne 50 mil pessoas no Allianz Parque

Projeto de João Gomes, Mestrinho e Jota.pê celebra um ano, anuncia sequência e consolida a força do Forró

Foto: @laercio_pioi

Quando as luzes se acenderam no Allianz Parque e 50 mil pessoas responderam em coro, não havia mais dúvida: o Projeto Dominguinho havia alcançado uma dimensão histórica. O que começou como um encontro íntimo, pensado inicialmente para poucas músicas, transformou-se, após um ano, em um dos movimentos mais expressivos da música brasileira recente e, sobretudo, em marco para o Forró sem jamais perder a proximidade que sempre definiu o projeto.

A celebração do primeiro ano, realizada no último sábado (25), em São Paulo, foi mais do que um grande show. Foi a materialização de um percurso que cresceu passo a passo, sem romper com sua essência. Do palco menor da Casa Natura Musical, onde os ingressos se esgotaram em poucos minutos, ao estádio, Dominguinho construiu uma trajetória baseada na conexão direta com o público, algo que, segundo os próprios artistas, permanece intacto.

“Por mais que a gente esteja em um estádio, o grau de intimidade com o público continua o mesmo. Parece que estamos tocando em uma salinha. A gente começa a contar uma história, alguém responde lá de baixo, e isso vira parte do show. Cada apresentação tem o seu momento. São muitas lembranças, e quando a gente recorda de algo engraçado, a gente ri e se diverte muito. Tem sido uma bênção tocar e aprender com eles”, diz João Gomes.

Para Jota.pê, o que se transformou ao longo do tempo foi o vínculo entre eles.  “Naquele show na Casa Natura, a gente já estava empolgado e já era amigo, mas hoje a gente é ainda mais próximo. A gente se conhece de verdade, ri junto, se zoa, já fez música junto. Subir no palco agora é como subir com um monte de memória boa na cabeça”, afirma.

Já Mestrinho aponta para um elemento que resiste ao tempo e ao crescimento. “A única coisa que não mudou é que a gente sobe no palco, olha para o público e se arrepia da cabeça aos pés. É a mesma sensação do primeiro show. Acho que as pessoas sentem isso também. Dominguinhos tem esse poder”, analisa.

O equilíbrio entre crescimento e fidelidade às raízes talvez seja a chave para entender o alcance do projeto. No repertório, clássicos que atravessam gerações convivem com releituras e novas interpretações, sempre com o cuidado de manter viva a tradição. No palco do Allianz, as participações de Bruna Black, Raimundo Fagner, Tato (Falamansa) e Vanessa da Mata reforçaram esse diálogo entre tempos e linguagens. O encerramento, com “Asa Branca” e referências a Flávio José, foi simbólico e, sobretudo,uma reafirmação de origem.

Desde que estreou, Dominguinho acumulou números que ajudam a dimensionar o fenômeno: 43 shows, sendo 20 internacionais, mais de 500 mil pessoas alcançadas, centenas de milhões de streams e visualizações, além de prêmios importantes como o Grammy Latino de Melhor Álbum de Música de Raízes em Língua Portuguesa e o Prêmio Multishow.

Mas reduzir o projeto a números seria insuficiente. O que se viu no Allianz Parque foi outra coisa: um gênero historicamente associado a espaços menores ocupando, com naturalidade, o espaço de um estádio, sem diluir a identidade.

Mas reduzir o projeto a números seria insuficiente. O que se viu no Allianz Parque foi outra coisa: um gênero historicamente associado a espaços menores ocupando, com naturalidade, o espaço de um estádio, sem diluir a identidade.

“Cada um tem seu caminho, mas quando a gente se encontra, vem uma sensação de paz. A gente sabe que está junto e que um pode contar com o outro”, completa João Gomes.

Ao final do show, veio o anúncio que o público já esperava: Dominguinho 2 chega às plataformas no dia 7 de maio. A sequência de um projeto que, ao crescer, não perdeu o rumo.

Se o primeiro ano serviu para provar que o Forró pode ocupar qualquer espaço, o que vem pela frente aponta para algo ainda mais significativo: não se trata apenas de alcance, mas de permanência.

Dominguinho faz história. E faz sem esquecer de onde veio.

Uma imagem, muitos significados

Se no palco o Projeto Dominguinho já mostra a força que o Forró pode alcançar hoje, fora dele um gesto simples ajudou a traduzir o que está por trás desse momento.

Durante a cobertura do show, a equipe da Revista Arrebol entregou aos três artistas uma ilustração, produzida à mão pelo artista Daniel Costa, da cidade de Osasco (SP). Na imagem, os três músicos aparecem tocando para uma multidão, enquanto Luiz Gonzaga surge no céu, observando a cena.

A reação foi imediata. Os três pararam, olharam com atenção e, por alguns segundos, deixaram o silêncio falar.

“Isso é um presente?”, perguntou João Gomes, visivelmente emocionado. Ao confirmar, disse que faria questão de enquadrar a obra. Mestrinho e Jota.pê reagiram de forma parecida, tocados pelo significado da imagem.

Mais do que um desenho, a ilustração, que é a charge desta primeira edição da revista, funciona como síntese do que o projeto representa: um Forró que cresce, ocupa novos espaços, mas segue conectado a quem construiu esse caminho antes.

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