O Forró que virou medalha, diploma e patrimônio
O forró vive um momento histórico de reconhecimento em todo o país. Flávio José, Chambinho do Acordeon e Assisão receberam importantes homenagens, enquanto o Ceará declarou o forró Patrimônio Imaterial. As celebrações reforçam o valor cultural e afetivo do ritmo que simboliza as raízes e a identidade do povo nordestino.
De Flávio José a Assisão, o Brasil rende homenagens a quem transformou sanfona, zabumba e triângulo em orgulho nacional.
Por Redação EQM
As últimas semanas foram de celebrações marcantes para o Forró e seus grandes representantes. Em diferentes estados do Nordeste, instituições públicas e culturais prestaram homenagens a artistas que ajudaram a construir a identidade musical daquela região, e também ao próprio gênero, que agora ganha ainda mais força como símbolo do patrimônio brasileiro.
Na Paraíba, a Assembleia Legislativa vai conceder ao cantor e compositor Flávio José a Medalha Epitácio Pessoa, a mais alta comenda da Casa. Conhecido como o “Rei do Xote” e o eterno “Caboclo Sonhador”, Flávio será homenageado por sua contribuição à cultura nordestina e à projeção da música paraibana no país. A iniciativa é do deputado estadual Michel Henrique (Republicanos), que destacou que o artista “representa a força e o orgulho de um povo que canta suas histórias e suas origens”.
Em Salvador, foi a vez do pernambucano Chambinho do Acordeon receber a Medalha Thomé de Souza, uma das maiores honrarias concedidas pela Câmara Municipal. A homenagem, realizada em sessão solene, reconhece o papel de Chambinho na difusão da cultura nordestina e na preservação do legado de Luiz Gonzaga — que ele tão bem retratou no cinema e leva aos palcos com autenticidade e emoção.
Já em Pernambuco, a Universidade Federal Rural (UFRPE) concederá o título de Doutor Honoris Causa ao cantor e compositor Assisão, em cerimônia na unidade de Serra Talhada, sua terra natal. A homenagem inédita celebra uma trajetória de mais de seis décadas dedicadas à música e às tradições nordestinas.
E, no Ceará, a Assembleia Legislativa (Alece) aprovou o projeto de lei que declara o Forró Patrimônio Histórico-Cultural e Imaterial do Estado. A proposta, de autoria do deputado Romeu Aldigueri (PDT), abrange os ritmos tradicionais — baião, xote, xaxado e arrasta-pé —, além das danças, trajes e celebrações populares que mantêm viva a chama do Forró nas comunidades cearenses. A nova lei abre caminho para ações de ensino do Forró nas escolas, festivais regionais e programas de apoio a mestres da cultura popular.
De artistas consagrados a reconhecimentos oficiais, o Forró reafirma sua força, não apenas como expressão artística, mas como patrimônio afetivo e identitário do povo nordestino.
Em cada sanfona que toca, em cada homenagem que se ergue, ecoa a certeza de que o Forró segue vivo, inspirando, unindo e contando as histórias de um Brasil que dança, resiste e se orgulha de suas raízes.