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Editorial

Cecéu: O nome que sempre esteve lá

Mais do que parceira de Antônio Barros, Cecéu é autora de obras essencias do Forró, e precisa ser reconhecida como tal

Ao lado de Antônio Barros, ela construiu um repertório poderoso

Há nomes que caminham juntos por tanto tempo que parecem um só. Antônio Barros e Cecéu é um grande exemplo disso.

Para muita gente, esse “e” era invisível, confundido com sobrenome, apagado pela pressa da leitura ou pelo hábito de se esperar que o gênio tenha sempre um nome só. Mas Cecéu nunca foi um sobrenome. Era corpo inteiro, voz firme e mulher artista.

Há mais de um ano, Antônio Barros nos deixou. E como costuma acontecer nessas horas, as homenagens vieram rápidas, carregadas de afeto e reconhecimento. E merecidas, claro, afinal, Antônio Barros deixou um legado musical grandioso, que atravessa décadas e faz parte da memória afetiva de quem ama o Forró.

Mas, hoje, quero lembrar o mundo que Cecéu vive. E mais do que isso: precisa ser lembrada por inteiro, com todas as letras e o brilho que carrega.

Ela é compositora de mão cheia. Assina letras, muitas delas sozinhas, e isso será tema de um vídeo, que falam do sertão, do amor, da saudade, da festa e da luta. Letras que embalaram gerações e seguem vivas, seja nos bailes de forró, nas playlists dos novos ouvintes ou na memória de quem entende que cultura popular é coisa séria. E viva.

Ao lado de Antônio Barros, ela construiu um repertório poderoso, mas sua arte não depende dele para existir. Ela brilha sozinha também. E talvez esteja aí a urgência deste texto: dizer, com todas as letras, que Cecéu é. E sempre foi.

O Brasil precisa aprender a reconhecer suas criadoras enquanto elas estão aqui. A valorizar as mulheres que sustentam a cultura com seus corpos, suas vozes e suas ideias. A dar nome aos créditos, e aos afetos.

Enquanto se fala do legado de Antônio Barros, e deve-se falar, hoje, eu escolho lembrar que esse legado tem dois nomes. E que Cecéu merece ser celebrada com todas as letras.

Que seu nome nunca mais seja lido apressado. Que nunca mais se ache que era um sobrenome.

Cecéu é nome próprio. E é, sim, um dos nomes mais bonitos do nosso Forró.

Viva Cecéu!

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