O que o Forró tem a ver com a eleição do Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC)?
Eleitores vão escolher quem representará a sociedade civil nas discussões sobre políticas públicas, financiamento e aplicação de recursos para a cultura nos próximos três anos
Quem toca, dança, produz, pesquisa ou trabalha de alguma forma com o Forró pode participar de uma escolha importante para os rumos das políticas culturais do país. E o prazo está chegando ao fim.
Até 22 de setembro, estão abertas as inscrições para quem deseja votar ou se candidatar nas eleições do Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC) e dos 21 Colegiados Nacionais de Participação Social. A votação será realizada de 11 a 15 de novembro e vai escolher representantes da sociedade civil para o período de 2026 a 2029.
Mas o que isso tem a ver com o Forró?
Primeiro, o que é o CNPC?
Uma maneira simples de entender é pensar em um conselho de condomínio. Os moradores escolhem representantes para discutir questões de interesse coletivo, acompanhar decisões e fiscalizar o que está sendo feito.
Guardadas as proporções, o CNPC exerce um papel semelhante na cultura. Ligado ao Ministério da Cultura, reúne representantes do poder público e da sociedade civil para participar da formulação, acompanhamento e avaliação das políticas culturais do país. Também acompanha questões relacionadas ao financiamento e à aplicação de recursos públicos destinados à cultura.
Ou seja: a eleição ajuda a definir quem estará nesses espaços representando a sociedade civil quando políticas para a cultura forem discutidas e acompanhadas.
E onde entra o Forró?
Não existe uma cadeira exclusiva para o Forró. A participação acontece por meio de 21 colegiados, que representam diferentes áreas da cultura.
Entre eles estão Música, Dança, Artesanato, Culturas Tradicionais e Populares e Patrimônio Imaterial, áreas diretamente relacionadas às diferentes formas de atuação dentro da comunidade forrozeira.
O Patrimônio Imaterial ganha uma importância particular nesse debate porque as Matrizes Tradicionais do Forró são reconhecidas como Patrimônio Cultural do Brasil.
A Gestora Cultural Isabel Santos defende que a comunidade forrozeira participe mesmo que não tenha interesse em lançar uma candidatura.
“É preciso, no mínimo, se qualificar como eleitor para ajudar a decidir quem serão aqueles que estarão no Conselho”, disse.
Para ela, mais do que escolher alguém ligado a um grupo específico, é importante observar quem está preparado para discutir políticas públicas e compreender as necessidades mais amplas da cultura.
Você não precisa ser candidato para participar
Esse é um ponto importante: é possível se cadastrar apenas para votar.
Para ser eleitor, é necessário ter 16 anos ou mais e comprovar pelo menos um ano de atuação, vínculo ou pesquisa na área do colegiado escolhido.
Quem pretende se candidatar precisa ter 18 anos ou mais, morar no Brasil e comprovar pelo menos três anos de atuação na área. Cada participante escolhe apenas um colegiado.
Como participar?
As inscrições são feitas pela plataforma Vota Cultura, utilizando uma conta Gov.br, e ficam abertas até 23h59 de 22 de setembro.
Depois da habilitação das candidaturas, a votação também será realizada pela internet, entre 11 e 15 de novembro.
Para quem vive de Forró, participar desse processo é uma maneira de ir além da torcida por mais espaço para essa manifestação cultural: é ajudar a escolher quem estará representando a sociedade civil quando políticas públicas que impactam a cultura forem discutidas, acompanhadas e fiscalizadas.