Prêmio Anastácia de Forró 2026 revela contemplados em cinco categorias na Câmara de São Paulo
Cerimônia da 5ª edição homenageou artistas e profissionais da cultura forrozeira e celebrou o Dia do Nordestino na capital paulista.
A Câmara Municipal de São Paulo recebeu, na noite desta segunda-feira (19), a cerimônia de entrega do 5º Prêmio Anastácia de Forró. Realizada no Salão Nobre Brasil Vita, a solenidade reconheceu artistas, pesquisadores, comunicadores e produtores culturais que contribuem para a valorização e a preservação do forró na capital paulista. O evento também celebrou o Dia do Nordestino em São Paulo.
Instituída pela Resolução nº 10/2021, a premiação leva o nome de Lucinete Ferreira, a cantora e compositora Anastácia, conhecida como Rainha do Forró. Nesta edição, foram reconhecidos contemplados nas categorias Dança, Música, Comunicação, Produção Cultural e Pesquisa.
A cerimônia foi presidida pelo vereador Dheison Silva (PT) e reuniu representantes da cultura forrozeira, pesquisadores, integrantes do Fórum do Forró e a própria Anastácia, homenageada que dá nome ao prêmio.
Uma conquista construída coletivamente
Durante a solenidade, Joana Alves, coordenadora nacional do Fórum do Forró, destacou a importância da mobilização dos agentes culturais para o reconhecimento e a preservação do gênero.
Ela relembrou o movimento construído desde 2017 e ressaltou que as conquistas alcançadas são resultado do trabalho de muitas pessoas envolvidas na defesa da memória e das tradições do forró.
“Hoje somos patrimônio graças a essa mobilização social no Brasil inteiro”, afirmou.
Joana também reconheceu a contribuição de Anastácia para esse processo e destacou que a história do forró é construída coletivamente, por diferentes vozes e gerações.
A coordenadora do Fórum do Forró de Raiz de São Paulo, Isabel Santos, agradeceu aos pareceristas, participantes e ao público presente na cerimônia. Para ela, a premiação representa uma oportunidade de reconhecer trajetórias de pessoas que dedicam suas vidas à cultura forrozeira.

Forró, patrimônio e universidade
Representando o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Rodrigo Andrade ressaltou a importância da cultura na formação da identidade e na valorização das origens.
“A cultura é tão importante quanto o pão que a gente come. Quem sabe de onde vem, quem sabe para onde vai, não se acovarda diante de nenhum desafio”, declarou.
Em sua fala, também agradeceu a Anastácia por sua contribuição para o fortalecimento da autoestima e do orgulho de ser nordestino.
A aproximação entre o universo acadêmico e a cultura forrozeira foi outro tema abordado durante a solenidade.
Fábio Cardoso, da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), defendeu a presença do forró nas universidades e a construção de um diálogo permanente entre pesquisadores, artistas e agentes culturais.
Segundo ele, a universidade não deve se colocar acima dos conhecimentos produzidos pelos próprios integrantes do movimento forrozeiro. Pelo contrário, precisa se aproximar dessa realidade, conhecer suas experiências e contribuir para ampliar os espaços de pesquisa e troca de saberes.
A proposta é fortalecer os encontros entre o meio acadêmico e a comunidade forrozeira, reconhecendo a importância dos conhecimentos construídos dentro e fora das instituições de ensino.
Anastácia celebra reconhecimento em vida
Um dos momentos da cerimônia foi a homenagem à própria Anastácia, que acompanhou a entrega do prêmio que leva seu nome.
Nascida no Recife, em Pernambuco, a cantora e compositora construiu uma trajetória de mais de seis décadas na música brasileira, com aproximadamente 30 discos gravados. Sua obra ajudou a consolidar o forró como uma das grandes expressões culturais do país.
Durante sua fala, a Rainha do Forró demonstrou gratidão pelo reconhecimento de sua trajetória e pelas pessoas que continuam trabalhando para preservar e divulgar a música nordestina.
“Sou eternamente grata pelas pessoas terem prestado atenção nas coisas que eu falo através das minhas músicas”, declarou.
Anastácia também destacou a importância de ampliar o alcance da produção musical nordestina.
“Eu sempre achei que era música do Brasil e não nordestina. Nós, nordestinos, somos um povo de muito talento”, afirmou.
O artista Caju também prestou homenagem à cantora, destacando o orgulho de ser nordestino e a satisfação de acompanhar sua trajetória artística e manter uma relação de amizade com ela e sua família.
Ao presidir a cerimônia, o vereador Dheison Silva ressaltou a importância de reconhecer a contribuição de Anastácia enquanto a artista pode acompanhar pessoalmente as homenagens.
“Homenagem é importante em qualquer momento, mas em vida tem um gosto melhor”, afirmou.
O parlamentar também destacou a permanência do legado cultural da compositora.
“Anastácia, que você esteja aqui pelos próximos mil anos, porque o que é importante, o que é cultural do nosso país, não se apaga.”
Conheça os contemplados do Prêmio Anastácia de Forró 2026
A quinta edição reconheceu os três primeiros colocados em cada uma das cinco categorias da premiação.
Categoria I – Dança
1º lugar: Íris De Franco
2º lugar: Thiago Ferrarezi
3º lugar: Felipe Trizi
Categoria II – Música
1º lugar: Digo Ferreira
2º lugar: Cilene Araújo
3º lugar: Maria Fulô
Categoria III – Comunicação
1º lugar: Assis Ângelo
2º lugar: Mano Novo
3º lugar: Lemno
Categoria IV – Produção Cultural
1º lugar: Evandro Paz & Íris de Franco
2º lugar: Edu Brisa
3º lugar: Thiago Ferrarezi
Categoria V – Pesquisa
1º lugar: Edu Brisa
2º lugar: Forró Urbano
3º lugar: Assis Ângelo