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Mariana Aydar e Mestrinho gravam audiovisual em SP e mostram que o Forró pode olhar para o futuro sem esquecer suas raízes

Mariana Aydar e Mestrinho gravaram um audiovisual histórico na Casa Natural Musical, em São Paulo. O show celebrou os mestres do forró, mas também abriu espaço para novas pautas e representações. Com afeto e coragem, a dupla mostrou que tradição e transformação podem caminhar juntas no futuro do forró.

Mariana Aydar e Mestrinho gravam audiovisual em SP e mostram que o Forró pode olhar para o futuro sem esquecer suas raízes

Em um show na Casa Natural Musical, dupla celebra o gênero, emociona o público e propõe um Forró aberto às novas pautas e aos novos tempos.

Por David Chaves

Na noite desta quarta-feira (5), a Casa Natural Musical, em São Paulo, foi cenário de um encontro que reafirmou a força do Forró na atualidade : a gravação do audiovisual de Mariana Aydar e Mestrinho, dupla que já conquistou o Grammy Latino 2024 e o Prêmio da Música Brasileira 2025. Um show pensado para celebrar o passado mas, acima de tudo, para apontar caminhos para o futuro.

Com um repertório que atravessou a história do Forró, de Luiz Gonzaga, João Silva, Trio Nordestino, Os 3 do Nordeste e Dominguinhos à geração de Elba Ramalho, Gilberto Gil, Alceu Valença, Flávio  José e, lógico, João  Gomes, Mariana e Mestrinho mostraram que é possível reverenciar e reconhecer os mestres, mantendo os olhos voltados para o presente. Fizeram isso com maestria, construindo um espetáculo que honra a tradição e, ao mesmo tempo, cria sua própria narrativa, em sintonia com o presente.

Entre momentos de pura emoção e explosões de alegria, o show também fez pensar. Tocar “Homem com H”, e Viola de Penedo, com dois homens dançando juntos no palco, foi um gesto simbólico que mostrou que certos discursos já não cabem mais, e que o Forró precisa abraçar novas formas de expressão e afeto.

Outras canções, como “Boy Lixo”, “Na boca do Povo”, “Triste, louca e má”, trouxeram à tona temas como machismo e homofobia, mostrando que a “evolução” do Forró também passa pelas conversas que ele precisa ter com o seu tempo.

Foi um espetáculo para celebrar e furar bolhas, reunindo um público diverso, diferente dos Forrós do dia a dia, mas igualmente entregue à força daquela música. Ao fim, ovacionados, Mariana e Mestrinho deixaram uma mensagem clara: respeitar as tradições é também permitir que elas mudem.

A banda que acompanhou Mariana Aydar e Mestrinho foi um espetáculo à parte. Formada por músicos de altíssimo nível, o grupo deu corpo e alma às canções que misturam tradição e modernidade no Forró. A sintonia entre os instrumentos,  sanfona, zabumba, triângulo, guitarra, baixo e percussões, criou uma sonoridade potente e contemporânea, sem perder o balanço e a identidade nordestina que marcam o trabalho dos artistas. Cada músico parecia viver intensamente o momento, contribuindo para que a noite se transformasse em uma celebração da música brasileira em sua forma mais autêntica.

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