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Forrozeiros da Bahia pressionam por mudanças e avançam em diálogo com a UPB

Forrozeiros e representantes da cultura nordestina se reuniram com a União dos Municípios da Bahia (UPB) para discutir critérios de contratação e maior valorização dos artistas locais nos festejos juninos. O encontro foi avaliado como positivo e abriu caminho para novos diálogos sobre políticas culturais.

Forrozeiros da Bahia pressionam por mudanças e avançam em diálogo com a UPB

Artistas avaliam encontro como positivo e articulam mais espaço para nomes baianos no São João

Por Redação

A reunião entre forrozeiros e a União dos Prefeitos da Bahia (UPB), realizada na última quinta-feira (5), em Salvador, foi avaliada como um avanço importante na articulação do setor por mais espaço para artistas baianos nas programações de São João promovidas pelas prefeituras.

O grupo foi recebido pelo presidente da UPB, Wilson Cardoso, pelo prefeito Júnior Piaggio (Ipecaetá), Pedrito Cruz (Sátiro Dias) e pelo professor Tony, diretor de Cultura e prefeito de Aratuípe, que ouviram as reivindicações e se comprometeram a levar a pauta à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia. Como encaminhamento imediato, já ficou definida uma nova reunião para a próxima quarta-feira, dando sequência às negociações.

Entre os principais pontos defendidos pelo movimento está a proposta de criação de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) que estabeleça a participação mínima de 50% de artistas baianos de forró nas grades juninas, tanto em número de contratações quanto, preferencialmente, no volume de recursos públicos investidos.

Também participou do encontro o deputado federal Zé Neto, que se comprometeu a manter diálogo permanente com a classe artística e a revisar, de forma conjunta, a Lei da Zabumba, legislação já existente, mas que, segundo os forrozeiros, nunca foi efetivamente colocada em prática.

O grupo também defende mais transparência nas contratações, com divulgação prévia das programações e dos valores pagos, além do acompanhamento dos acordos por órgãos de controle, como o Ministério Público da Bahia e o Tribunal de Contas dos Municípios, garantindo segurança jurídica tanto para gestores quanto para artistas.

Para Carlos Mattheus, dos Bambas do Nordeste, o saldo do encontro foi animador e sinaliza um novo momento de organização do setor.

“Deu pra se animar, porque ficou algo muito esperançoso. A gente foi muito bem recebido. Já saiu definida mais uma reunião, com encaminhamento junto à Secretaria de Cultura do Estado. O deputado Zé Neto prometeu revisar a Lei da Zabumba, que nunca foi colocada em prática. E estamos empenhados para que isso não seja fogo de palha”, afirmou.

A mobilização reuniu artistas de diferentes regiões do estado. De Feira de Santana, participaram Carlos Mattheus e Vivaldo Oliveira (Os Bambas do Nordeste), Neném do Acordeon, Janderson do Acordeon, Adelino e Mel Forrozeira, Johnny Xamego, Pititiu Miranda, Rony Fiuza e Forrozão do Capitão, reforçando o caráter coletivo da iniciativa.

Para os forrozeiros, o momento marca um passo importante na organização da classe, que passa a dialogar de forma mais estruturada com o poder público. A união dos artistas é fundamental para fortalecer a cadeia produtiva do forró, ampliar geração de emprego e renda e garantir que o São João siga valorizando suas raízes culturais.

A expectativa agora é que os compromissos assumidos durante a reunião se convertam em medidas concretas, e que a experiência baiana sirva de referência para outros estados que enfrentam desafios semelhantes na realização de suas festas populares.

Ontem (4), a UPB  definido que o teto máximo de cachê será de R$ 700 mil por apresentação, sendo que artistas que se apresentaram no ano anterior não poderão ter reajuste superior à inflação.

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