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Dossiê das Mulheres do Forró revela a história apagada que moldou o ritmo mais brasileiro do país

O Dossiê das Mulheres do Forró, organizado por Wévela Mendes (DJ Preta Barros), reúne dez anos de pesquisa sobre o protagonismo feminino no forró. O estudo resgata artistas apagadas pela história, evidencia sua importância na formação do gênero e incentiva novas referências, repertórios e pesquisas. Uma leitura essencial.

Dossiê das Mulheres do Forró revela a história apagada que moldou o ritmo mais brasileiro do país

Produzido pela DJ Preta Barros, o trabalho reconstrói o protagonismo feminino na música nordestina e mostra como compositoras, intérpretes e sanfoneiras foram pilares do Forró, mesmo quando invisibilizadas.

Por Redação

O Forró que conhecemos hoje é feito de vozes, mãos e histórias que, por muito tempo, ficaram fora dos registros oficiais. É essa lacuna que o Dossiê das Mulheres do Forró, organizado por Wévela Mendes , a DJ Preta Barros, busca preencher. O documento, de 30 páginas, é fruto de uma década de leituras, escutas e levantamentos históricos sobre as mulheres que moldaram o Forró desde as raízes, e agora chega ao público com o objetivo de ampliar repertórios, corrigir apagamentos e honrar quem abriu caminhos.

Preta conta que o dossiê nasceu de forma natural, sem a pretensão inicial de virar uma publicação.

“Na verdade não tinha um objetivo. Quando comecei a pesquisar músicas cantadas por mulheres, os nomes foram surgindo e, na época, comecei a anotar as informações que chegavam, na hora que chegavam”, explica.

O que começou como uma coleção de anotações cresceu ao longo de dez anos, acumulando histórias, conexões e reflexões. Hoje, já mestranda em Etnomusicologia, ela sentiu que era hora de compartilhar esse conteúdo guardado no drive:

“Tá sendo bonito ver a recepção positiva das pessoas sobre esse trabalho”, completou.

O dossiê destaca que o Forró sempre teve a participação das mulheres, cantando, compondo, tocando, pesquisando e transmitindo saberes dentro e fora de casa. Mas essas presenças foram sistematicamente apagadas pelos registros históricos. Para a pesquisadora, reconhecer esse protagonismo transforma a maneira como entendemos o gênero:

“Tudo o que fazemos hoje no Forró é resultado de um processo histórico. As mulheres tiveram crucial importância na formação do Forró, mas foram apagadas pelos registros. Aqui, temos a oportunidade de fazer jus à memória e às contribuições dessas mulheres e, de repente, ajudar a galera a pesquisar novas referências musicais, uns repertórios diferentes que elas trazem pra gente também”, disse Preta.

O documento revisita trajetórias de pioneiras como Santana e Flora Mourão, ancestrais diretas de Gonzaga e Jackson do Pandeiro; de intérpretes e instrumentistas fundamentais como Carmélia Alves, Marinês, Clemilda, Hermelinda, entre tantas outras; e destaca ainda compositoras gigantes, como Anastácia, cuja obra ultrapassa 900 gravações.

Para fechar, Preta deixa uma mensagem poderosa às artistas que seguem fortalecendo o Forró hoje:

“Pesquisem o que vocês cantam, mas, principalmente, respeitem quem veio antes de vocês. É olhando pra trás que a gente constrói um futuro melhor pras mulheres no Forró. Marinês, Anastácia, Cecéu, todas eram amigas, se apoiavam, gravavam juntas. Isso traz uma poderosa mensagem pra todas nós. Viva as Mulheres do Forró!”, finalizou a DJ.

O dossiê é uma leitura fundamental para quem quer compreender o forró de forma completa , não só pela música, mas pela história e pela luta que o sustentam.

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