MPJ | MAIS PELO JORNALISMO
Lançamentos

Diego Oliveira faz de “Toma Distraído” um reencontro com sua essência no Forró

Ouvido antecipadamente pelo EQM, álbum entrega um repertório bem escolhido e preserva marcas da trajetória do artista, com romantismo, nostalgia e música feita para o baile

Diego Oliveira escolheu olhar para a própria trajetória para construir Toma Distraído. No novo álbum, que já está disponível nas plataformas de música, o cantor e zabumbeiro reúne experiências acumuladas nos bailes, referências aos mestres do Forró e características que acompanham sua música há anos. O resultado é um trabalho que ele próprio define como um reencontro com sua essência.

Depois de passar anos vivendo fora do Brasil, Diego está de volta ao país há mais de um ano. Agora, esse retorno também ganha um registro musical, não exatamente como uma volta geográfica, mas como uma aproximação com aquilo que sempre esteve no centro de sua relação com o Forró.

“A proposta do disco é, antes de tudo, um reencontro com a minha essência. Depois de tantos anos vivendo fora do Brasil e levando o Forró comigo, voltar para casa também significou voltar para aquilo que sempre fez sentido para mim: a música, a zabumba, São Paulo e minha casa, as histórias e a maneira brasileira de viver o Forró”, conta.

Um Diego Oliveira reconhecível

O EQM teve acesso antecipado a Toma Distraído, e o álbum encontra Diego em um território que conhece bem.

O romantismo está presente, assim como aquela dose de nostalgia que atravessa diferentes momentos de sua carreira e remete, em alguns momentos, aos tempos do Meketréfe. Mas o disco não vive apenas de lembranças. Há uma preocupação clara em construir um repertório para o baile, daqueles em que música e dança caminham juntas.

É também uma boa escola de repertório. Diego preserva sua identidade ao mesmo tempo em que deixa evidente a admiração pela história do gênero e por quem veio antes dele.

“Une a vontade de escrever a minha própria história, minha narrativa de baile, de dança, de vivência e, ao mesmo tempo, minha admiração pelos nossos grandes mestres, que fizeram e ainda fazem pelo Forró”, explica.

É justamente nessa combinação que Toma Distraído encontra um de seus pontos fortes: soa familiar para quem acompanha Diego Oliveira, sem parecer apenas uma tentativa de reproduzir o passado.

Um álbum para ser ouvido inteiro

Diego também tomou uma decisão consciente sobre a maneira de apresentar o trabalho. Em vez de seguir a estratégia de lançar uma música de cada vez, preferiu disponibilizar o álbum completo.

Ele reconhece que o mercado atual costuma favorecer os singles, permitindo trabalhar cada faixa individualmente por mais tempo. Para este projeto, porém, sentiu necessidade de fazer diferente.

“Apesar de o mercado querer isso, que lancemos faixa por faixa, para dar tempo de trabalhar cada música, é uma questão de necessidade. Eu quero chegar e lançar o álbum, marcar de vez esse regresso”, disse.

A escolha ajuda a entender o próprio projeto. Toma Distraído foi pensado como um conjunto de músicas que compartilham experiências, referências e uma mesma narrativa.

E o que significa “Toma Distraído”?

O nome do álbum também carrega mais de uma leitura.

A primeira está no próprio baile. Para Diego, um encontro inesperado, uma dança ou uma música podem despertar sentimentos que até então estavam escondidos. É quando a vida surpreende: “toma distraído”.

Mas há também um significado relacionado à atitude de colocar os planos em prática.

“Não adianta só ter um plano mirabolante na cabeça e não fazer nada, esperando a oportunidade chegar. Assim marca a minha volta. Enquanto você emprega seu tempo resmungando o movimento, toma distraído: aqui estou eu de volta e cheio de vontade de continuar a escrever as minhas páginas”, explicou.

Nesse sentido, o título funciona quase como uma provocação e ajuda a explicar o momento vivido pelo artista: menos espera e mais movimento.

Produção reúne músicos da cena

Toma Distraído tem produção assinada por João Vitor do Acordeon, do Trio Alvorada, Elton Moraes e pelo próprio Diego Oliveira.

O álbum foi gravado no Estúdio 4art e conta com Iury Bastista, Léo Rodrigues, Anderson Anjos, Elton Moraes, Paulinho Saculejada, Jônatas Sansão, Beto Corrêa, Rafa Castro e Digo Ferreira entre os músicos participantes.

A formação reforça a proposta de um disco construído a partir da linguagem que Diego acumulou ao longo da carreira e de sua relação com músicos e referências do Forró.

Leia também